PAPA SÃO PIO X : ACERBO NIMIS - Sobre o Ensino do Catecismo - LITURGIA DIÁRIA , 23 DE ABRIL DE 2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

PAPA SÃO PIO X : ACERBO NIMIS - Sobre o Ensino do Catecismo

CARTA ENCÍCLICA

ACERBO NIMIS

Sobre o Ensino do Catecismo
PAPA SÃO PIO X
Veneráveis Irmãos Patriarcas,
Primazes, Arcebispos, Bispos e
Mais Ordinários em Paz e Comunhão
com a Santa Sé Apostólica,
Saúde e Bênção Apostólica
 
1.Pelos inescrutáveis desígnios de Deus fomos elevados de nossa pequenez ao cargo de Supremo Pastor do Rebanho de Cristo, em dias bem críticos e amargos, pois o antigo inimigo anda em redor deste Rebanho e lhe arma laços em tão pérfida astúcia, que hoje, principalmente, parece haver-se cumprido aquela profecia do Apóstolo aos anciãos da Igreja de Éfeso: Sei que vos hão de assaltar lobos vorazes, que não pouparão o Rebanho (At 20,29). Dos males que afligem a Religião não há quem, animado de zelo pela Glória divina, deixe de investigar as causas e razões, acontecendo que, como as encontra cada qual diversas, proponha diferentes meios, de acordo com a sua opinião pessoal, para defender e restaurar o Reino de Deus na Terra. Não proscrevemos, Veneráveis Irmãos, os pareceres alheios, mas estamos com os que pensam que esta depressão e debilidade das almas, de que derivam os maiores males, provêm, principalmente, da ignorância das Coisas Divinas. Esta opinião concorda inteiramente com o que o Deus mesmo declarou pelo Profeta Oséias: Não há conhecimento de Deus na Terra. A maldição e a mentira, e o homicídio e o roubo e o adultério tudo inundaram; o sangue junta-se ao sangue e por causa disto a Terra se cobrirá de luto e todos os seus moradores desfalecerão” (Os 4,1-3)
Necessidade da Instrução
2.  Quão fundadas são, desgraçadamente, estas lamentações, hoje, que existe tão crescido número de pessoas, entre o Povo Cristão, que ignoram totalmente as coisas que é mister conhecer para conseguir a Salvação Eterna! Ao dizer Povo Cristão não nos referimos somente à plebe, ou às classes inferiores às quais servem de escusa o acharem-se com freqüência submetidas a homens tão duros que lhes não deixam tempo nem para cuidar de si mesmas, nem das coisas que se referem à sua alma mas e principalmente falamos daqueles aos quais não falta entendimento nem cultura e até se mostram dotados de profana erudição, apesar de que em coisas de Religião vivem da maneira mais temerária e imprudente que imaginar se possa. Dificílimo seria ponderar a espessura das trevas que os envolvem e o que mais triste é a tranqüilidade com que nelas permanecem! De Deus, Soberano Autor e Moderador de todas as coisas, e da Sabedoria da Fé Cristã não se preocupam, de forma que verdadeiramente nada sabem da Encarnação do Verbo de Deus, nem da Perfeita Restauração do Gênero Humano, por Ele consumada; nada sabem acerca da Graça, principal auxílio para alcançar os Bens Eternos; nada, acerca do Augusto Sacrifício nem dos Sacramentos, mediante os quais conseguimos e conservamos a Graça. Quanto ao pecado, não conhecem sua malícia nem o opróbrio que consigo traz, de sorte que não põem o menor cuidado em evitá-lo ou expiá-lo, e chegam ao Dia Extremo em disposição tal que, para não os deixar sem qualquer Esperança de Salvação, o Sacerdote se vê constrangido a aproveitar os derradeiros instantes de vida para sumariamente lhes ensinar Religião, ao invés de empregá-los principalmente, conforme conviria, em movê-los a afetos de Caridade; isto quando não sucede que o moribundo sofra de tão culpável ignorância que tenha por inútil o auxílio do Sacerdote e resolva tranqüilamente franquear os Umbrais da Eternidade sem haver prestado a Deus conta dos seus pecados. Por isso, o Nosso Predecessor Bento XIV justamente escreveu: Afirmamos que a maior parte dos condenados às penas eternas padece sua perpétua desgraça por ignorar os Mistérios da Fé, que necessariamente se devem conhecer e crer, para ser contado no número dos eleitos (Instit.  XXVII, 18)
3.  Sendo assim, Veneráveis Irmãos, que há de surpreendente, pergunto, em que a corrupção dos costumes e sua depravação sejam tão grandes e cresçam diariamente, não digo nas nações bárbaras, mas até nos próprios Povos que ostentam o nome de Cristãos? Com razão dizia o Apóstolo São Paulo, escrevendo aos Efésios:A fornicação e toda espécie de impureza ou avareza nem sequer se nomeie entre vós, como convém a Santos; nem palavras torpes, nem chocarrices (Ef 5,3-4). Como fundamento deste Pudor e Santidade, com os quais se moderam as paixões, determinou a Ciência das Coisas Divinas: E assim, cuidai, irmãos, em andar com Prudência; não como insensatos, mas como circunspectos Portanto, não sejais imprudentes, mas considerai qual é a Vontade de Deus (Ef 5, 15.17). Sentença justa; porque a vontade humana apenas conserva algum resto daquele amor à honestidade e à retidão, inspirados ao homem por Deus, seu Criador, amor que o impelia para um bem, não velado por sombras, mas claramente visto. Mas, depravada pela corrupção do pecado original e esquecida de Deus, seu Gerador, a vontade humana inclina-se a amar a vaidade e a procurar a mentira. Extraviada e cega pelas más paixões, necessita de um guia que lhe mostre o caminho para que retome as Veredas da Justiça, que desgraçadamente abandonou. Este guia, que não é preciso buscar fora do homem, e de que a natureza o proveu, é a própria razão; mas se à razão falta aquela luz, irmã sua, que é a Ciência das Coisas Divinas, sucederá que um cego guiará outro cego e ambos cairão no abismo. O Santo Rei Davi, glorificando a Deus por esta Luz da Verdade que havia infundido na razão humana, dizia: A luz do Vosso rosto, Senhor, está impressa em nós”. E indicava o efeito desta comunicação da Luz, acrescentando: Infundistes a alegria em meu coração (Sl 4, 6-7)
Efeitos das Doutrina Cristã
4.  Descobre-se facilmente que assim é, porque, de fato, a Doutrina Cristã nos faz conhecer a Deus e o que chamamos suas Infinitas Perfeições, quiçá mais fundamente que as forças naturais. E de que forma? Mandando-nos ao mesmo tempo reverenciar a Deus por obrigação de ”, que se refere à razão; por dever de Esperança”, que se refere à vontade, e por dever de Caridade”, que se refere ao coração, com o qual torna o homem inteiramente submetido a Deus, seu Criador e Moderador. De igual forma só a Doutrina Cristã estabelece o homem na posse de sua eminente dignidade natural como filho do Pai Celestial, que está nos Céus, e que o fez à Sua imagem e semelhança para viver eternamente feliz com Ele. Mas desta mesma dignidade e do conhecimento que dela se deve ter, deduz Cristo que os homens devem amar-se como irmãos e viver na Terra como convém aos Filhos da Luz, não em glutonerias e embriaguez, não em desonestidades e dissoluções, não em contendas e emulações (Rm 13,13). Manda-nos, outrossim, que nos entreguemos às Mãos de Deus, que é quem cuida de nós; que socorramos os pobres, façamos o bem a nossos inimigos e prefiramos os Bens Eternos da alma aos perecedores bens temporais. E, mesmo sem esmiuçar tudo, não é, porventura, a Doutrina de Cristo que recomenda e prescreve ao homem soberbo aquela humildade que é o verdadeiro manancial de Sua Glória? Todo aquele, pois, que se humilhar, esse será o maior no Reino dos Céus (Mt 18,4). Nesta Celestial Doutrina nos é ensinada igualmente a Prudência de Espírito, que serve para nos proteger da prudência da carne; a Justiça, por meio da qual damos a cada um o que lhe pertence; a Fortaleza, que nos torna capaz de sofrer e padecer tudo generosamente por Deus e pela Bem-aventurança Eterna; enfim, a Temperança, que nos torna amável a Pobreza por Amor de Deus, e que em meio de nossas humilhações faz com que nos gloriemos na Cruz. De maneira que pela Sabedoria Cristã não somente recebe nossa inteligência a Luz que nos permite alcançar a Verdade, mas até a vontade fica empolgada daquele Amor que nos conduz a Deus e a Ele nos une mediante o exercício da Virtude
5.  Longe estamos de afirmar que a malícia da alma e a corrupção dos costumes não possam co-existir com a consciência da Religião. Prouvera a Deus que os fatos demonstrassem o contrário. Mas compreendemos que quando e espírito está envolto pelas espessas trevas da ignorância, não se pode capacitar nem da retidão da vontade nem dos bons costumes, porque se, caminhando com olhos abertos, pode o homem apartar-se do bom caminho, o que sofre de cegueira está em perigo iminente de desviar-se. Acrescente-se que em quem não está de todo apagado o archote da Fé, resta ainda uma Esperança de que se emende e se cure da corrupção dos costumes; mas quando a ignorância se junta à depravação, já não resta possibilidade de remédio, mas está aberto o caminho da ruína
O Primeiro Ministério
6.  Posto que da ignorância da Religião procedem tão graves danos, e, de outro lado, são tão grandes a necessidade e a utilidade da Doutrina Religiosa, desde que, desconhecendo-a,  em vão se esperaria que alguém cumprisse as obrigações de Cristão, convém saber agora a quem compete preservar as almas desta perniciosa ignorância e instruí-las em tão indispensável Ciência. O que, Veneráveis Irmãos, não oferece dificuldade alguma, porque essa transcendente missão recai sobre os Pastores de Almas. Estes, efetivamente, acham-se obrigados por preceito do próprio Cristo a conhecer e apascentar as ovelhas que lhes foram confiadas. Apascentar é, antes do mais, doutrinar. Eu vos darei Pastores segundo o Meu Coração, que vos apascentarão com a Ciência e com a Doutrina (Jr 3,15). Assim falava Jeremias, inspirado por Deus; pelo que dizia o Apóstolo São Paulo: Cristo não me enviou para Batizar, mas para pregar (1Cor 1,17). Advertindo assim que o principal Ministério de quantos exercem, em certo sentido, o governo da Igreja, consiste em ensinar aos fiéis a Doutrina Sagrada
7.  Inútil se nos afigura aduzir novas provas da excelência deste Ministério e da estima que merece de Deus. Certo é que Deus exalta grandemente a Piedade que nos move a procurar o alívio das humanas misérias; mas, quem negará que muito acima dela devem ser colocados o zelo e o trabalho mediante os quais o entendimento recebe o ensino e os conselhos referentes, não às necessidades terrenas, mas aos Bens Celestiais? Nada pode ser mais grato a Jesus Cristo, Salvador das almas, que pelo Profeta Isaías disse de Si Mesmo: Fui enviado para Evangelizar os pobres (Lc 4,18)
Importa muito, Veneráveis Irmãos, insistir para que todos os Sacerdotes compreendam bem que ninguém tem maior obrigação e dever mais imperioso. Porque, quem negará que no Sacerdote hão de unir-se a Ciência e a Santidade de Vida? Nos lábios do Sacerdote deve estar o depósito da Ciência (Ml 2,7). E, com efeito, a Igreja o exige rigorosamente de quantos aspiram a ingressar no Sacerdócio. E por que isto? Porque o Povo Cristão espera receber do sacerdote o ensinamento da Divina Lei e porque Deus o destina para propagá-la. De sua boca se há de aprender a Lei, pois que ele é o Anjo do Senhor dos Exércitos (Ml 2,7). Por isso, nas Ordens Sacras, o Bispo diz, dirigindo-se aos que vão ser elevados ao Sacerdócio: Que vossa Doutrina seja remédio espiritual para o Povo de Deus, e os cooperadores de nossa Ordem sejam prudentes, para que, meditando dia e noite acerca da Lei, creiam no que leram e ensinem aquilo em que acreditam (Pontif. Romano)
Se não há Sacerdote algum a quem não correspondam estas obrigações, quais não serão as daqueles que pelo nome e autoridade que ostentam e por sua mesma dignidade têm a seu cargo e como que por compromisso a Cura das Almas? Estes devem ser colocados de algum modo nas fileiras dos Pastores e Doutores que Jesus Cristo deu aos fiéis para que não sejam como meninos flutuantes, e levados, ao sabor de todo vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela astúcia dos que induzem ao erro, mas, praticando a Verdade na Caridade, cresçamos em todas as coisas naquele que é a Cabeça, o Cristo (Ef 4, 14-15)
Disposições da Igreja
8.  Por isso, o Sacrossanto Concílio de Trento, falando dos Pastores de Almas, julgou que a primeira e a maior de suas obrigações era a de ensinar o Povo Cristão (Sess.V, c. 2 de Refor.; XXII, c. 8; sess. XXIV. c. 4 e 7 de Refor.). Dispôs, em conseqüência, que ao menos nos Domingos e Festas Solenes dessem ao Povo Instrução Religiosa, e durante os Santos Tempos de Avento e Quaresma diariamente ou ao menos três vezes por semana. Mas não só isto, porque acrescenta o Concílio que os Párocos estão obrigados, ao menos nos Domingos e Dias de Festa, a ensinar, por si ou por outros, aos meninos as Verdades da Fé e a Obediência que devem a Deus e a seus pais; e lhes manda, outrossim, que, quando tenham de administrar algum Sacramento, instruam em sua virtude os que o vão receber, explicando-o por meio de Pregações em língua vulgar
9.  Em sua Constituição Etsi Minime”, Nosso Predecessor Bento XIV resumiu estas prescrições e as determinou claramente, dizendo: Duas obrigações impõe principalmente o Concílio de Trento aos Pastores de almas: uma, que todos os Dias de Festa falem ao Povo acerca das Coisas Divinas; outra, que ensinem aos meninos e aos ignorantes os Elementos da Lei Divina e da Fé”. Este Sapientíssimo Pontífice distingue justamente o duplo Ministério, a saber, a Pregação, que habitualmente se chama Explicação do Evangelho, e o Ensino da Doutrina Cristã. Não faltarão, porventura, Sacerdotes que, movidos do desejo de poupar-se trabalho, crêem que com as Homilias satisfazem a obrigação de ensinar o Catecismo. Quem quer que reflita descobrirá a erronia desta opinião; porque a Pregação do Evangelho está destinada aos que já possuem os Elementos da Fé e vem a ser como o pão que se deve dar aos adultos; mas, pelo contrário, o Ensino do Catecismo é aquele alimento de que São Pedro queria que todos o desejassem avidamente com simplicidade, como meninos recém-nascidos. Este Ofício de Catequista consiste em[1] escolher algumas Verdades relativas à Fé e aos Bons Costumes Cristãos e expô-las e explicá-las em todos os seus aspectos. E como o fim do ensino é a Perfeição da Vida, o Catequista há de comparar o que Deus manda obrar e o que os homens realmente fazem, depois do que, e havendo extraído oportunamente algum exemplo da Sagrada Escritura, da História da Igreja ou das Vidas dos Santos, há de aconselhar o seu auditório e como que indicar-lhe a dedo a norma a que se deve ajustar a vida, e terminará exortando os presentes a fugir dos vícios e a praticar a Virtude
Instrução Popular
10.  Não ignoramos, em verdade, que o Ofício de Ensinar a Doutrina Cristã não é grato a muitos, que o estimam em pouco e acaso impróprio para conseguir o elogio popular; isto posto, entendemos que semelhante juízo pertence aos que se deixam levar pela leviandade mais do que pela Verdade. Não negamos certamente a aprovação devida aos Oradores Sacros que, movidos do sincero desejo da Glória Divina, se empregam na defesa e reivindicação da Fé ou em fazer o Panegírico dos Santos; mas seu labor requer outra preliminar, a dos Catequistas, pois, faltando esta, não há fundamento e em vão se fadigam os que edificam a casa. Assaz freqüente é que floridos discursos, recebidos com aplauso por nutridas assembléias, somente sirvam para agradar ao ouvido e não comovam as almas. Em troca, o Ensino Catequético, ainda que simples e humilde, merecem que se lhe apliquem estas palavras que Deus inspirou a Isaías: Do mesmo modo que a chuva e a neve descem do Céu e a ele não retornam, mas empapam a terra e a penetram e fecundam, a fim de que produzam semente para semear e pão para comer, assim será a Palavra que sai da minha boca: não tornará a mim vazia, mas obrará tudo aquilo que Eu quero e executará felizmente aquelas coisas para que Eu a enviei (Is 55,10-11). O mesmo juízo se há de formular daqueles Sacerdotes que, para melhor exporem as Verdades da Religião, publicam eruditos volumes, motivo pelo qual são dignos, certamente, de copiosos elogios; mas, sem embargo, quão reduzido é o número dos que consultam as obras deste gênero e destas tiram os frutos que corresponderiam aos desejos do autor! Mas o Ensino da Doutrina Cristã, se feito como se deve fazê-lo, nunca é inútil para os que o escutam
11.  Convém repeti-lo, para inflamar o zelo dos Ministros do Senhor; já é crescidíssimo, e aumenta cada dia mais, o número dos que tudo ignoram em matéria de Religião, ou têm de Deus e da Fé Cristã conceito tal, que, em plena Luz da Verdade Católica, lhes permite viver como pagãos. Ai! Quão grande é o número, não diremos de meninos, mas de adultos e até de anciãos, encurvados pela idade, que ignoram absolutamente os principais Mistérios da Fé, e, ouvindo falar de cristo, respondem: Quem é Ele para que eu creia nEle?” (Jo 9,36). Daí o terem por lícito forjar e manter ódio contra o próximo, fazer contratos iníquos, explorar negócios infames, fazer empréstimos usurários e constituir-se réus de outras prevaricações semelhantes. Daí que, ignorantes da Lei de Cristo que não somente proíbe toda ação torpe, mas também todo pensamento voluntário e o desejo de cometê-la muitos que, seja lá pelo que for, quase se abstêm dos prazeres vergonhosos, alimentam em suas almas, que carecem de Princípios Religiosos, os pensamentos mais perversos, e tornam o número de suas iniqüidades maior que o dos cabelos de sua cabeça. E deve-se repetir que estes vícios não se encontram somente entre a gente do Campo e o Povo Baixo das Cidades, mas também, e acaso com maior freqüência, entre homens de outra categoria, inclusive entre os que se invaidecem de seu saber e, apoiados em uma vã erudição, pretendem ridicularizar a Religião e blasfemar de tudo quanto não conhecem (Jd 10)
12. Se é coisa vã esperar colheita de terra que não foi semeada, como se pode esperar gerações adornadas de boas obras, se oportunamente não foram instruídas na Doutrina Cristã? Donde justamente inferimos que, se a Fé enlanguesce em nossos dias a ponto de que em muitos sujeitos parece morta, é que se tem cumprido descuidadamente, ou se omitiu de todo, a obrigação de ensinar as Verdades contidas no Catecismo. Inútil será dizer, para encontrar escusa, que a Fé nos foi dada gratuitamente e conferida a cada um no Batismo. Porque, certamente, quando fomos batizados em Jesus Cristo , fomos enriquecidos com a posse da Fé; mas esta divina semente não chega a crescer e lançar grandes ramos (Mc 4,32) se fica abandonada a si mesma e à sua nativa Virtude. Tem o homem, desde que vem a este mundo, a faculdade de entender; mas esta faculdade necessita da excitação da palavra materna para converter-se em ato, como se costuma dizer nas escolas. Isto, precisamente, acontece ao homem Cristão, que, ao renascer pela água e pelo Espírito Santo, traz como que em germe a Fé; necessita, porém, do ensinamento da Igreja para que esta Fé possa nutrir-se, desenvolver-se e dar fruto. Pelo que escrevia o Apóstolo: A Fé provém do ouvir e o ouvir depende da Pregação da Palavra de Cristo (Rm 10,17). E, para mostrar a necessidade do ensino, acrescentou: Como ouvirão falar, se não há quem lhes pregue?” (Rm 10,14)
Normas
13.  Se, pelo que até aqui foi exposto, já se pode ver qual a importância da Instrução Religiosa do Povo, devemos fazer quanto nos seja possível a fim de que o Ensino da Sagrada Doutrina, que, servindo-nos das palavras do Nosso Predecessor Bento XIV, é a instituição mais útil para a Glória de Deus e a Salvação das Almas (Const. Etsi Minime, 13), se mantenha sempre florescente ou, onde tenha sido descuidada, se restaure. Assim, pois, Veneráveis Irmãos, querendo cumprir esta grave obrigação do Apostolado Supremo e fazer que em toda parte se observem em matéria tão importante as mesmas práticas, em virtude de Nossa Suprema Autoridade, estabelecemos para todas as Dioceses as seguintes disposições, que deverão ser rigorosamente observadas e cumpridas:
14. I.  Todos os Párocos, e em geral quantos Sacerdotes exercem a Cura de Almas, hão de instruir com respeito ao Catecismo, durante uma hora inteira, todos os Domingos e Dias de Festa do ano, sem exceptuar nenhum, a todos os meninos e meninas naquilo que devem crer e praticar para alcançar a Salvação Eterna
15. II.  Os mesmos hão de preparar as meninas e meninos, em época fixa do ano, e mediante Instrução que há de durar vários dias, a receber dignamente os Sacramentos da Penitência e Confirmação
16. III.  Além disso, hão de preparar com especial cuidado aos jovenzinhos e jovenzinhas, para que, santamente, se aproximem pela primeira vez da Sagrada Mesa, valendo-se para este fim de oportunas Instruções e Exortações, durante todos os dias da Quaresma, e, se for necessário, durante vários outros depois da Páscoa
17. IV.  Em todas as Paróquias se erigirá canonicamente a Associação que vulgarmente se denomina Congregação da Doutrina Cristã [Cf. CD, 30], com a qual, principalmente onde aconteça ser escasso o número de Sacerdotes, terão os Párocos auxiliares do Estado Secular para o Ensino do Catecismo, os quais se ocuparão neste Ministério, tanto por zelo da Glória de Deus, como para lucrar as Santas Indulgências que os romanos Pontífices têm enriquecido essa Associação
18. V.  Nas grandes cidades, principalmente onde haja Faculdades maiores, Liceus e Colégios, fundem-se Escolas de Religião, para instruir nas Verdades da Fé e nas práticas da Vida Cristã a Juventude que freqüenta as Escolas Públicas em que se não menciona as Coisas de Religião
19. VI.  Porque nestes tempos de desordem a Idade Madura não está menos que a Infância necessitada de Instrução Religiosa, os Párocos e quantos Sacerdotes tenham Cura de Almas, além da costumada Homilia sobre o Santo Evangelho, que hão de fazer todos os Dias de Festa, na Missa Paroquial, escolham a hora mais oportuna para o comparecimento dos fiéis exceptuando a destinada à Doutrina dos meninos e façam Instruções Catequísticas aos adultos, em forma simples e acomodadas às suas inteligências, devendo para isso acomodar-se ao Catecismo do Concílio de Trento; de tal modo que no espaço de quatro ou cinco anos expliquem quanto se refere ao Símbolo, aos Sacramentos, ao Decálogo, à Oração e aos Mandamentos da Igreja
20. VII. Todas as coisas, Veneráveis Irmãos, mandamos e estabelecemos em virtude de Nossa Autoridade Apostólica. Agora, obrigação vossa é procurar, cada qual em sua própria Diocese, que estas prescrições se cumpram inteiramente e sem tardança. Velai, pois, e, com a autoridade que vos é peculiar, procurai que nossos mandamentos não caiam em olvido ou o que seria igual se cumpram com negligência e frouxidão. Para evitar esta falta, haveis de empregar as recomendações mais assíduas e imperativas aos Párocos, a fim de que não expliquem o Catecismo sem preparação, mas preparando-se antes com esmero, de modo que não falem a linguagem da sabedoria humana, senão que com simplicidade de coração e sinceridade diante de Deus (2Cor 1,12) sigam o exemplo de Cristo, que, embora expusesse coisas que estavam ocultas desde a criação do mundo (Mt 12,34), sem embargo as dizia todas ao povo por meio de Parábolas ou exemplos, e sem Parábolas não lhes pregava (Mt 12,34). Sabemos também que o mesmo fizeram os Apóstolos, ensinados por Jesus Cristo, e deles dizia São Gregório Magno: Puseram todo cuidado em pregar aos povos ignorantes coisas simples e acessíveis, e não coisas altas e árduas (Moral. lib. 17, c. 26). E, em Coisas de Religião, uma grande parte de homens de nosso tempo deve ser considerada ignorante
O Trabalho do Ensino
21. Não quiséramos que alguém, em razão desta mesma simplicidade que convém observar, imaginasse que o Ensino Catequístico não requeira trabalho nem meditação; pelo contrário, são de maior necessidade que em qualquer outra. É mais fácil achar um Orador que fale com abundância e brilho, que um Catequista cujas explicações mereçam elogios em tudo. Todos , portanto, hão de ter em conta que, por grande que seja a facilidade de conceitos e de expressão de que sejam naturalmente dotados, nenhum falará da Doutrina Cristã com proveito espiritual dos adultos e dos meninos, se antes não se preparou com estudos e séria meditação. Enganam-se os que, fiando-se na inexperiência e aviltamento intelectual do Povo, julgam-se poderem proceder negligentemente nesta matéria. O contrário é que é a verdade; quanto mais seja a incultura do auditório, maior zelo e cuidado se requerem para lograr que as Verdades mais sublimes, tão elevadas sobre o entendimento da generalidade dos homens, penetrem na inteligência dos ignorantes, os quais, não menos que os sábios, necessitam conhecê-las para alcançar a Eterna Bem-Aventurança
22.  Seja-nos permitido, Veneráveis Irmãos, dizer-vos ao terminar esta Carta, o que disse Moisés: Aquele que seja do Senhor, reúna-se comigo (Ex 32,26). Rogamo-vos e suplicamos que observeis quão grandes são os estragos que produz nas almas a só ignorância das Coisas Divinas. Talvez muitas outras obras úteis e dignas de elogio se encontrem estabelecidas por vós nas vossas Dioceses, para bem de vossos respectivos rebanhos; mas, com preferência a todas elas, e com todo o empenho, todo o zelo e toda a constância que vos sejam possíveis, haveis de cuidar esmeradamente de que o conhecimento da Doutrina Cristã chegue a penetrar na mente e no coração de todos. Comunique cada qual ao próximo repetimos com o Apóstolo São Pedro a graça segundo a recebeu, como bons dispensadores dos dons de Deus, os quais são multiformes (1Pe 4,10)
Que, mediante a intercessão da Imaculada e Bem-Aventurada Virgem, vosso zelo e piedosa indústria se excitem com a Bênção Apostólica, que amorosamente vos concedemos, a vós, a vosso Clero e ao Povo que vos está confiado, e seja testemunha de Nosso afeto e primícias dos Divinos Dons
 
Dado em Roma, junto de São Pedro,no dia 15 de Abril do ano de 1905, segundo de Nosso Pontificado
PIO, PAPA X
 
 
 

LITURGIA DO DIA 23 DE ABRIL DE 2014

PRIMEIRA LEITURA (AT 3,1-10)

LEITURA DOS ATOS DOS APÓSTOLOS - Naqueles dias, 1Pedro e João subiram ao Templo para a oração das três horas da tarde. 2Então trouxeram um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar todos os dias na porta do Templo, chamada Formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam. 3Quando viu Pedro e João entrando no Templo, o homem pediu uma esmola. 4Os dois olharam bem para ele e Pedro disse: “Olha para nós!” 5O homem fitou neles o olhar, esperando receber alguma coisa. 6Pedro então lhe disse: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” 7E pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. 8Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. E entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus. 9O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus. 10E reconheceram que era ele o mesmo que pedia esmolas, sentado na porta Formosa do Templo. E ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido com ele - Palavra do Senhor

SALMO RESPONSORIAL (SL 104,4-9)

EXULTE O CORAÇÃO DOS QUE BUSCAM O SENHOR

— Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, anunciai entre as nações seus grandes feitos! Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas!

— Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus! Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face!

— Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra

— Ele sempre se recorda da Aliança, promulgada a incontáveis gerações; da Aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac

EVANGELHO (LC 24,13-35)

PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO + SEGUNDO LUCAS - 3Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” 19Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Naza­reno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Co­mo sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem che­gando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão - Palavra da Salvação

 
 
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA EM MEDJUGORJE – “Hoje, desejo dizer-Ihes que Eu os amo. Eu os amo com o meu amor maternal e peço-Ihes que se abram completamente a Mim, para que Eu possa, através de vocês, converter e salvar o mundo, onde existem tantos pecados e tantas coisas que não são boas. Por isso, queridos filhinhos meus, abram-se completamente a Mim, para que Eu possa, cada vez mais, guiar a todos vocês para o inefável amor de Deus Criador, que se revela, a cada dia, a vocês. Eu estou com vocês e desejo revelar-Ihes e mostrar-Ihes o Deus que os ama” – MENSAGEM DO DIA 25.08.92
 

São JorgeA IGREJA CELEBRA HOJE , SÃO JORGE - Conhecido como ‘o grande mártir’, foi martirizado no ano 303. A seu respeito contou-se muitas histórias. Fundamentos históricos temos poucos, mas o suficiente para podermos perceber que ele existiu, e que vale à pena pedir sua intercessão e imitá-lo. Pertenceu a um grupo de militares do imperador romano Diocleciano, que perseguia os cristãos. Jorge então renunciou a tudo para viver apenas sob o comando de nosso Senhor, e viver o Santo Evangelho. São Jorge não queria estar a serviço de um império perseguidor e opressor dos cristãos, que era contra o amor e a verdade. Foi perseguido, preso e ameaçado. Tudo isso com o objetivo de fazê-lo renunciar ao seu amor por Jesus Cristo. São Jorge, por fim, renunciou à própria vida e acabou sendo martirizado. Uma história nos ajuda a compreender a sua imagem, onde normalmente o vemos sobre um cavalo branco, com uma lança, vencendo um dragão: “Num lugar existia um dragão que oprimia um povo. Ora eram dados animais a esse dragão, e ora jovens. E a filha do rei foi sorteada. Nessa hora apareceu Jorge, cristão, que se compadeceu e foi enfrentar aquele dragão. Fez o sinal da cruz e ao combater o dragão, venceu-o com uma lança. Recebeu muitos bens como recompensa, o qual distribuiu aos pobres.” Verdade ou não, o mais importante é o que esta história comunica: Jorge foi um homem que, em nome de Jesus Cristo, pelo poder da Cruz, viveu o bom combate da fé. Se compadeceu do povo porque foi um verdadeiro cristão. Isto é o essencial. Ele viveu sob o senhorio de Cristo e testemunhou o amor a Deus e ao próximo. Que Ele interceda para que sejamos verdadeiros guerreiros do amor. São Jorge, rogai por nós!


 
 

A VIA-CRUCIS DA IGREJA DE CRISTO - LITURGIA DIÁRIA , 22 DE ABRIL DE 2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A VIA-CRUCIS DA IGREJA DE CRISTO

A dolorosa via-sacra da Igreja de Cristo parece atravessar uma das suas piores tormentas destes dois milênios de história. A velha barca de Pedro segue o seu percurso e assim refaz os passos do Mestre, cheio de cruzes, quedas e mortificações. De um ambiente afável, no qual a fé cristã encontrava mãos estendidas para acolhê-la,  passou-se a uma esfera hostil, na qual punhos cerrados estão a todo instante desferindo os seus golpes, seja com pedras e tochas de fogo em Catedrais, seja com calúnias e zombarias nas manchetes da imprensa. É uma situação dramática que suscita, acima de tudo, almas virtuosas, de vidas limpas e inteligências simples, que tenham a ousadia de pôr termo ao suicídio da sociedade que se avizinha e ameaça arrastar consigo a própria Igreja e o seu futuro

No deserto que forjou a santidade de Santo Antão,  a fumaça que cobre os céus do Egito, decorrente dos incêndios premeditados contra a igreja , lembra a caçada de Nero aos primeiros filhos do Cristianismo e obriga o Santo Padre, não sem peso no coração, a reconhecer que "o tempo dos mártires não acabou" .  É a tragédia anunciada da Primavera Árabe, que se ergue em sangue e fogo contra aqueles que consideram os seus inimigos. Milhares de cristãos mortos e templos profanados são o saldo até o presente momento da aventada libertação. E enquanto o morticínio caminha sem freios nas areias do Médio Oriente, no novo mundo o silêncio cínico da classe falante mantém-se inquebrantável e logo confirma a frase do tantas vezes caluniado - por essas mesmas pessoas, importante frisarPapa Pio XII : "Nada se perde com a paz, tudo se perde com a guerra"

A intelligentsia modernista, ávida a cumprir o projeto gramsciano de dominação, cujos princípios se aglutinam à estratégia de infiltração da Igreja e esvaziamento do seu conteúdo espiritual tradicional, a fim de transformá-la num palanque político, não poupa esforços no trabalho de corrupção de valores e distorção de palavras. Cospem todo o tipo de bobagens, mesquinharias e intrigas, ora se fazendo de amigos, ora ladrando como verdadeiros cães de briga, sobretudo quando a eles se contrapõe à objetividade e à clareza do Magistério dos Papas . Da boca de um deles, a confissão reveladora : "Zombaremos de Jesus, mas não de Maomé"

E se fora dos muros da Igreja prossegue o colapso, dentro dela não é diferente. De repente, os mais ferrenhos inimigos do Papado e da Sã Doutrina se convertem nos mais profícuos papistas, pontificando novos dogmas e teorias que nem de longe se assemelham ao pensamento do Sumo Pontífice. Ao mesmo tempo, pululam os oráculos da verdade que, cheios de certeza, imputam a dúvida a qualquer gesto e palavra de Roma, menos às suas próprias ideias e concepções que, para eles, são a genuína expressão do Catolicismo e, portanto, questioná-las seria flertar com a heresia. Assim, tencionam objeções entre um e outro Papa, como se estes fossem antagonistas e não sucessores do mesmo Apóstolo e Chefe da Igreja . Louvam a pobreza, mas continuam ricos, exaltam a humildade, mas vivem na soberba, sempre teorizando as suas análises de conjuntura e deleitando-se com a crítica impiedosa, cuja base verifica-se mais nas cartilhas ideológicas marxistas e liberais do que no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo

Essas sombras perturbadoras às quais Paulo VI se referiu como "fumaça de Satanás" fragilizam a fé de inúmeros católicos e provocam a incerteza. Sobra alguma chance para a Boa Nova de Cristo? É preciso dizer que sim. Se a Barca de Pedro "parece uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados" e ameaça ruir sob os golpes simultâneos tanto dos de fora, quanto dos de dentro, no extremo oposto, há quem permaneça fiel à promessa irrevogável de Cristo de que "as portas do Inferno não prevalecerão", como permaneceram todos os santos ao longo desses dois mil anos. E se há aqueles que propagam o desânimo e a moleza, HÁ TAMBÉM AQUELES QUE AINDA OUSAM FAZER GUERRA AO INFERNO COM A PALAVRA DE DEUS

Foi o enfrentamento bárbaro contra as heresias que obrigou a Igreja, no decurso da sua peregrinação nesta terra, a sair do comodismo e do estado de letargia no qual ameaçava cair de tempos em tempos. Desse processo de renovação, sempre emergiu uma espiritualidade nova, radicada na fidelidade e na disciplina, cuja sensibilidade pastoral se revelava ainda mais penetrante que no passado. Pode-se dizer, assim, que as palavras de São Paulo se confirmam em todas essas circunstâncias: "É necessário que entre vós haja partidos para que possam manifestar-se os que são realmente virtuosos" (Cf.  I Cor 11, 19). Este é, para desgraça dos hereges e, por conseguinte, do diabo, o paradoxo de uma instituição guiada pelo Espírito Santo: não importa o número de cruzes, pois ao terceiro dia, sempre haverá a ressurreição!

 

LITURGIA DO DIA 22 DE ABRIL DE 2014

PRIMEIRA LEITURA (AT 2,36-41)

LEITURA DOS ATOS DOS APÓSTOLOS - No dia de Pentecostes, Pedro disse aos judeus: 36“Que todo povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. 37Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que devemos fazer?” 38Pedro respondeu: “Con­vertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. 39Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. 40Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles - Palavra do Senhor

SALMO RESPONSORIAL (SL 32)

TRANSBORDA EM TODA A TERRA A BONDADE DO SENHOR

— Reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça

— Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria

— No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!

EVANGELHO (JO 20,11-18)

PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO + SEGUNDO JOÃO - Naquele tempo, 11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: ”Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”. 16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito - Palavra da Salvação

 
 
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA EM MEDJUGORJE – “Hoje, mais uma vez, convido todos à oração, a uma oração alegre, a fim de que nestes dias tristes nenhum de vocês sinta tristeza quando rezar, mas sim a alegria do encontro com Deus, seu Criador. Filhinhos, rezem para poder estar mais perto de Mim e compreender, através da oração, o que Eu desejo de vocês. Eu estou com vocês e, todos os dias, os abençôo com a Minha bênção maternal , para que o Senhor lhes conceda as Suas graças, em abundância, no dia a dia de suas vidas. Agradeçam a Deus pela dádiva de poder estar com vocês, pois, asseguro-lhes, esta é uma grande graça” – MENSAGEM DO DIA 25.07.92
 

Santa Maria EgipcíacaA IGREJA CELEBRA HOJE , SANTA MARIA EGIPCÍACA - Nasceu no Egito no século V, e com apenas 12 anos tomou a decisão de sair de casa, em busca dos prazeres da vida. Providencialmente, conheceu um grupo de cristãos peregrinos que ia para o Santo Sepulcro, e os acompanhou, apenas movida pelo interesse no passeio. Por três vezes quis entrar na Igreja, mas não conseguiu. E uma voz interior lhe fez perceber o quanto ela era escrava do pecado. Ela recorreu a Virgem Maria, representada numa imagem que ali estava, e em oração se comprometeu a um caminho de conversão. Ingressou na Igreja e saiu de seu sepulcro. Com a graça do Senhor ela pôde se arrepender e se propor a um caminho de purificação. Ela foi levada ao deserto de Judá, onde ficou por quarenta anos, e nas tentações recorria sempre a Virgem Maria. Perto de seu falecimento, padre Zózimo foi passar seus últimos dias também nesse deserto e a conheceu, levou-lhe a comunhão e ela faleceu numa sexta-feira. O padre ao encontrar seu corpo, enterrou-a como a santa havia pedido em um recado - Santa Maria Egipcíaca, rogai por nós!

 

 

 

 

 

Não há maior alegria do que a de fazer bem ao próximo (Vídeo)



Numa sociedade em que, infelizmente, o egoísmo e o descuido pelo próximo têm aumentado, precisamos encontrar caminhos para praticar o amor gratuito e a generosidade a exemplo de Jesus Cristo.
O zelo pelos enfermos e pelos idosos é uma forma de medir essa atitude cristã. Os líderes das nossas comunidades precisam descobrir as pessoas que mais necessitam de dedicação e cuidado.
Há muitos enfermos e idosos que ficam no desamparo. Às vezes, sentem falta da família à medida que falecem os parentes mais chegados. Outros são vítimas do descaso dos próprios familiares. Soma-se a isso a situação dos que permanecem sozinhos por longas horas, devido ao trabalho dos parentes fora de casa.
Além do sofrimento da própria enfermidade ou da idade avançada, um aspecto doloroso é o fechamento progressivo do círculo de amizades que vai, aos poucos, confinando a pessoa em seu pequeno mundo e, ali na solidão, outro aspecto que causa preocupação é a falta de disponibilidade econômica que impede um tratamento adequado da doença e vai acarretando, para o idoso, a modificação no nível de vida que possuía. A situação se agrava ainda mais quando a doença diminui as forças e requer tratamentos dispendiosos. Nessas condições abre-se a oportunidade para as lideranças de nossas comunidades de demonstrar aos doentes e idosos toda estima e apoio.
Nada conforta tanto a eles quanto sentir-se amados em seu lar e cercado de atenções e cuidados. Onde não for possível a presença da própria família, fica o apelo maior às comunidades cristãs e, especialmente, aos jovens para que se dediquem a eles.
Lembro-me, no início do meu sacerdócio, quando auxiliava como vigário em Florença, do grande bem que a comunidade jovem fazia a muitos idosos, levando-lhes ajuda material, lazer, atendimento fisioterápico e, sobretudo, muito afeto. Este gesto de atenção e carinho poderia se multiplicar em nossas comunidades.
Em todas estas expressões de fraternidade, o importante é contemplar Jesus Cristo, e aprender com Ele o amor que dedicava aos enfermos, procurando aliviar seus padecimentos, agraciando-os até com milagres e ensinando-os a confiar no Pai do Céu.
Temos que imitar o Divino Mestre e a solicitude materna de Maria e perceber a necessidade dos irmãos e irmãs que sofrem, oferecendo-lhes a presença amiga, a palavra que conforta, pequenos serviços e sabendo organizar grupos de jovens que se revezem no atendimento nos casos que exigem maiores cuidados.
Cuidando dos doentes e dos que sentem a limitação da idade, os jovens estarão descobrindo a alegria de amar com gratuidade e colocando a base de uma sociedade fundamentada no respeito e na estima à pessoa humana, conforme a Vontade de Deus. Não há maior alegria do que a de fazer bem ao próximo.
Dom Luciano M. de AlmeidaArcebispo de Mariana - MG





Mensagem Urbi et Orbi da Páscoa 2014

O papa Francisco presidiu hoje, 20, Missa de Páscoa, na Praça de São Pedro. Participaram da celebração cerca de 100 mil fieis. Ao final da missa, Francisco concedeu a bênção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao mundo). Leia, na íntegra, a mensagem do papa:

Amados irmãos e irmãs, boa e santa Páscoa!Ressoa na Igreja espalhada por todo o mundo o anúncio do anjo às mulheres: «Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou (…). Vinde, vede o lugar onde jazia» ( Mt 28, 5-6).Este é o ponto culminante do Evangelho, é a Boa Nova por excelência: Jesus, o crucificado, ressuscitou! Este acontecimento está na base da nossa fé e da nossa esperança: se Cristo não tivesse ressuscitado, o cristianismo perderia o seu valor; toda a missão da Igreja via esgotar-se o seu ímpeto, porque dali partiu e sempre parte de novo. A mensagem que os cristãos levam ao mundo é esta: Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecados, mas Deus Pai ressuscitou-O e fê-Lo Senhor da vida e da morte. Em Jesus, o Amor triunfou sobre o ódio, a misericórdia sobre o pecado, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, a vida sobre a morte.Por isso, nós dizemos a todos: «Vinde e vede». Em cada situação humana, marcada pela fragilidade, o pecado e a morte, a Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel: é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído… « Vinde e vede»: o Amor é mais forte, o Amor dá vida, o Amor faz florescer a esperança no deserto.Com esta jubilosa certeza no coração, hoje voltamo-nos para Vós, Senhor ressuscitado!Ajudai-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos.Ajudai-nos a vencer a chaga da fome, agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices.Tornai-nos capazes de proteger os indefesos, sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono.Fazei que possamos cuidar dos irmãos atingidos pela epidemia de ebola na Guiné Conacri, Serra Leoa e Libéria, e daqueles que são afetados por tantas outras doenças, que se difundem também pela negligência e a pobreza extrema.Consolai quantos hoje não podem celebrar a Páscoa com os seus entes queridos porque foram arrancados injustamente dos seus carinhos, como as numerosas pessoas, sacerdotes e leigos, que foram sequestradas em diferentes partes do mundo.Confortai aqueles que deixaram as suas terras emigrando para lugares onde possam esperar um futuro melhor, viver a própria vida com dignidade e, não raro, professar livremente a sua fé.Pedimo-Vos, Jesus glorioso, que façais cessar toda a guerra, toda a hostilidade grande ou pequena, antiga ou recente!Suplicamo-Vos, em particular, pela Síria, a amada Síria, para que quantos sofrem as consequências do conflito possam receber a ajuda humanitária necessária e as partes em causa cessem de usar a força para semear morte, sobretudo contra a população inerme, mas tenham a audácia de negociar a paz, há tanto tempo esperada.Jesus glorioso, pedimo-vos que conforteis as vítimas das violências fratricidas no Iraque e sustenteis as esperanças suscitadas pela retomada das negociações entre israelitas e palestinianos.Imploramo-Vos que se ponha fim aos combates na República Centro-Africana e que cessem os hediondos ataques terroristas em algumas zonas da Nigéria e as violências no Sudão do Sul.Pedimos-Vos que os ânimos se inclinem para a reconciliação e a concórdia fraterna na Venezuela.Pela vossa Ressurreição, que este ano celebramos juntamente com as Igrejas que seguem o calendário juliano, vos pedimos que ilumine e inspire as iniciativas de pacificação na Ucrânia, para que todas as partes interessadas, apoiadas pela Comunidade internacional, possam empreender todo esforço para impedir a violência e construir, num espírito de unidade e diálogo, o futuro do País. Que eles como irmãos possam cantar ??hct?? ???????.Pedimo-Vos, Senhor, por todos os povos da terra: Vós que vencestes a morte, dai-nos a vossa vida, dai-nos a vossa paz! Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!SaudaçãoQueridos irmãos e irmãs,Renovo os meus votos de feliz Páscoa a todos vós reunidos nesta Praça, vindos de todas as partes do mundo. Estendo as minhas felicitações pascais a todos que, de diversos países, estão conectados através dos meios de comunicação social. Levai às vossa famílias e às vossas comunidades o feliz anúncio que Cristo nossa paz e nossa esperança ressuscitou!Obrigado pela vossa presença, pela vossa oração e pelo vosso testemunho de fé. Um pensamento particular e de reconhecimento pelo dom das belíssimas flores, oriundas dos Países Baixos. Feliz Páscoa para todos!

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